segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

3 Segundos

O olhar do menino me assustou. Senti um tremelique leve nas pernas que já estavam bambas por conta de algumas doses de álcool.Maquinei o olhar.Permaneci firme.Pronta para o que estivesse por vir.

sábado, 22 de novembro de 2008

Desconhecidos Forever

A imagem que me vem à cabeça quando lembro-me dos primeiros anos escolares, é de uma imitação de Daniela Mercury que fiz durante o recreio. Nessa época, início dos anos 90, para nós, pobres crianças nordestinas, a diva baiana era mais palpável do que Madonna e Xuxa, musas das crianças dos grandes centros do Brasil. Daniela tinha cabelo crespo (hoje ela desfila com cabelos lisos, resultado de escova progressiva), pele morena e ainda não mascarava o “baianês”. Era o auge do “Axé Music” e eu ainda estava aprendendo a ler e escrever.
Outra lembrança que tenho desse tempo, é a carência de algo que me representasse na televisão. Filha única que sou, passava horas em frente ao aparelho colorido e mudava de canal a cada segundo, à procura de algo que me distraísse. Fardo que carreguei até conhecer o rosto daquele que tinha um sotaque parecido com o meu e cantava uma música engraçada, trilha da novela que a minha ex babá assistia. O mistério foi desvendado quando conheci Chico Science através de um videoclipe, onde ele e seus comparsas da Nação Zumbi apareciam sujos de lama e dentro do mangue.
Enquanto a Bahia enriquecia os bolsos das gravadoras, grupos musicais com dançarinas reboculosas surgiam como espirros. Pernambuco revelava para o mundo um novo movimento musical, que pregava um estilo de vida diferente dos até então conhecidos pelo “grande Brasil”, as bandas e artistas do meu pequeno estado, Sergipe, sofriam com os mesmos problemas dos tempos em quem meus pais eram jovens aspirantes a tropicalistas e sonhavam em tomar uma Coca Cola com Caetano.
Aracaju, nesse momento de transformação cultural, pariu bandas como Karne Krua, liderada por “Sílvio da Freedom”, famosa figura do meio musical local, que havia sido abandonado por seu parceiro baterista Helder Aragão, hoje o renomado DJ Dolores (um “old school” do Mangue Beat), SNOOZE, Maria Scombona, Plástico Lunar (até hoje com o mesmo repertório daquele tempo) e artistas como a cantora Patrícia Polyne (que começava a ganhar espaço em grandes festivais), traziam para a geração sofrida, fruto da New Wave e do Punk, um sopro de esperança.
Diferente do resto dos companheiros de região, os sergipanos dispensavam o regionalismo e a busca pela “sergipanidade”(esta procurada desde a época em que meu pai pensava em ser rock star. Ou seja, quando Caetano ainda morava em Santo Amaro da Purificação) era inconcebível. Todos queriam ter nascido na Califórnia e deslumbravam com a nóia de Kurt Kobain. Nada disso foi suficiente para os sons do pequenino estado atravessar fronteiras. Um disquinho aqui, um festivalzinho ali, mas nenhum Bum! Ninguém sendo perseguido por grupies e jornalistas.
Chico Science virou pó, o Mangue tomou novos rumos, eu já não mais curtia Daniela Mercury e o buraco continuava aberto. O tempo criativo estacionou e nenhuma das “promessas” chegou à MTV, quiçá ao Faustão (além da Calcinha Preta, é claro).
Coincidentemente, no início da minha adolescência, quando comecei a sair à noite e pude ver o que já ouvia no meu quarto, eis que surge a danada da esperança novamente. As bandas citadas anteriormente ressurgiram das cinzas com novos discos, ideologias, integrantes, cuecas e tudo o que tinham direito. O advento da internet deixou a divulgação mais rápida e barata. Também estavam disponíveis na cidade novos espaços para shows, como a Rua da Cultura. Mas ainda faltava alguma coisa.
Não lembro exatamente onde, nem quando, mas certo dia, quando o buraco já estava prestes a ceder, ouvi a perdida sergipanidade. Mascarada por samplers e batuques de todos os gêneros, vozes e gritos que combinavam destoando (sim, isso é possível). Um mix de Genival Lacerda, Tom Zé, Cartola e Talking Heads. A Naurêa. Iniciou-se então, uma movimentação na capital e no interior.
A Naurêa tornou-se a banda queridinha dos produtores, público e governo local, e virou chamariz para a apresentação de novas bandas que buscavam se firmar e gerou inveja naqueles que há décadas tentavam sair do buraco. Com uma “despretensão pretensiosa”, a Naurêa conseguiu fazer com que o público começasse a pagar para assistir a uma banda local sem fazer cara feia.
Participaram na cara dura de festivais dentro e fora do Brasil, sem baixar a cabeça e lavando somente coragem na bagagem. Até que as músicas do primeiro disco se esgotaram, as do segundo também e o “Sambaião” (mistura de Samba com Baião, ritmo que eles dizem ter inventado) deixou de ser exótico para os gringos e passou a se horripilante para nós. O buraco se abriu mais uma vez.
Mas como a explosão da Naurêa abriu os cabeções, logo a The Baggios, banda de São Cristóvão que mistura Blues e Rock, tomou-lhes a coroa. Os Baggios já existiam quando a Naurêa começou, mas só fizeram show em Aracaju no final de 2006. Estes realmente despretensiosos, saem por graça divina para estados vizinhos e sair à noite em Aracaju virou um replay. Graças a eles e ao Coverama, os sergipanos estão perdendo novamente o tesão pela novidade e fechando seus bolsos para estas. Se a novidade for local, então... Piorou!
Provavelmente, transito na direção errada. Sou a única que deseja ver um menino desses no Arquivo Confidencial do Faustão. A música produzida em Sergipe não é melhor nem pior do que a produzida no resto do Brasil. O seu problema é possuir um instinto auto sabotador, que satisfaz os músicos com showzinhos na Rua da Cultura e em bares sem palco.
Portanto, meninos, coragem! Tenham cara de pau, troquem informações com bandas de outros estados e trabalhem de qualquer coisa para bancar “aquela” turnê pelo Acre (nunca Combi 68, obviamente). Lembrem-se que a FUNCAJU não vai te bancar para sempre e Alexandre Hardman um dia se forma em Direito e o Coverama não passará de uma doce lembrança. Coragem! Ou seremos desconhecidos forever.
Maria Rosa Teles

quinta-feira, 24 de julho de 2008


Prazer coletivo; o sentir-se bem. Corpos que exalam cheiros em outras situações tidos como mal-cheirosos; olhos fechados e mente aberta aos devaneios.
O sabor do conjunto. O gozo sem gosto definido.
Tato que permeia superfícies diversas.
Néon que vira uma única luz.
Durou alguns poucos minutos e não volta.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Recado

A noite, que me ilumina mais do que o dia, acende o que fica apagado no café da manhã. Sopra melodias de vento, colore os lábios e faz brilhar os olhos alheios.
Pena que as coisas passam e você, justamente você, aquele que ainda não achou o interruptor e deixou a luz acesa, fica imóvel. Não se manifesta. O mundo passa e você continua parado,jogado por aí.
Resultado:o vento retorna ao seu simples status de vento,os lábios empalidecem,os olhos são cobertos por lentes escuras,o Sol esquenta e eu continuo aqui...sem ver você sorrir.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Marasmo

Assim que chegar a hora, se é que ela vai chegar, espero não lembrar do ontem. Do beijo sem graça que não foi dado em minha boca, nem lembrar das cobranças inúteis, dos jargões e ditados profanos que saíram da sua garganta e me fizeram cair em desvantagem: me apaixonar.
Tentar desvendar o seu silêncio consumiu todo o meu dia. Deixou-me faminta e fedorenta. Sedenta por um sinal de vida, mesmo que este fosse para me dizer um não.
Já está na hora de acender as luzes e para mim, o dia ainda nem começou. Vestida como acordei, nem os cabelos arrumei e o telefone não tocou.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Nina Simone

“Are you ready for this action?” Não consegui dar a resposta. Como alguém tão distante e hoje vivo em outra atmosfera, é capaz de me dar uma chacoalhada dessas?!
Reagi mergulhando na sua vida, seu encanto, bebendo do seu sangue. Uma garrafa de vinho e um vestido que acentuava meus seios e quadris foram indispensáveis para encarnar o ser que afrontara minha alma. Bom, não consegui.
Comecei a questionar a minha pouca experiência. Quantos amores correspondidos, ou não?Quantas entradas na delegacia?Quantos filhos?Quantas fantasias?Quantas portas já abri com um chute?
Quer saber?Resolvi desencanar.
A experiência que carrego, é pouca, mas é minha.
É a minha vida certinha. a minha falta de amor.São os meus medos.
Cansei de tentar me encontrar na música dos outros.