
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Prazer coletivo; o sentir-se bem. Corpos que exalam cheiros em outras situações tidos como mal-cheirosos; olhos fechados e mente aberta aos devaneios.
O sabor do conjunto. O gozo sem gosto definido.
Tato que permeia superfícies diversas.
Néon que vira uma única luz.
Durou alguns poucos minutos e não volta.
O sabor do conjunto. O gozo sem gosto definido.
Tato que permeia superfícies diversas.
Néon que vira uma única luz.
Durou alguns poucos minutos e não volta.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Recado
A noite, que me ilumina mais do que o dia, acende o que fica apagado no café da manhã. Sopra melodias de vento, colore os lábios e faz brilhar os olhos alheios.
Pena que as coisas passam e você, justamente você, aquele que ainda não achou o interruptor e deixou a luz acesa, fica imóvel. Não se manifesta. O mundo passa e você continua parado,jogado por aí.
Resultado:o vento retorna ao seu simples status de vento,os lábios empalidecem,os olhos são cobertos por lentes escuras,o Sol esquenta e eu continuo aqui...sem ver você sorrir.
Pena que as coisas passam e você, justamente você, aquele que ainda não achou o interruptor e deixou a luz acesa, fica imóvel. Não se manifesta. O mundo passa e você continua parado,jogado por aí.
Resultado:o vento retorna ao seu simples status de vento,os lábios empalidecem,os olhos são cobertos por lentes escuras,o Sol esquenta e eu continuo aqui...sem ver você sorrir.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Marasmo
Assim que chegar a hora, se é que ela vai chegar, espero não lembrar do ontem. Do beijo sem graça que não foi dado em minha boca, nem lembrar das cobranças inúteis, dos jargões e ditados profanos que saíram da sua garganta e me fizeram cair em desvantagem: me apaixonar.Tentar desvendar o seu silêncio consumiu todo o meu dia. Deixou-me faminta e fedorenta. Sedenta por um sinal de vida, mesmo que este fosse para me dizer um não.
Já está na hora de acender as luzes e para mim, o dia ainda nem começou. Vestida como acordei, nem os cabelos arrumei e o telefone não tocou.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Nina Simone
“Are you ready for this action?” Não consegui dar a resposta. Como alguém tão distante e hoje vivo em outra atmosfera, é capaz de me dar uma chacoalhada dessas?!
Reagi mergulhando na sua vida, seu encanto, bebendo do seu sangue. Uma garrafa de vinho e um vestido que acentuava meus seios e quadris foram indispensáveis para encarnar o ser que afrontara minha alma. Bom, não consegui.
Comecei a questionar a minha pouca experiência. Quantos amores correspondidos, ou não?Quantas entradas na delegacia?Quantos filhos?Quantas fantasias?Quantas portas já abri com um chute?
Quer saber?Resolvi desencanar.
A experiência que carrego, é pouca, mas é minha.
É a minha vida certinha. a minha falta de amor.São os meus medos.
Cansei de tentar me encontrar na música dos outros.
Reagi mergulhando na sua vida, seu encanto, bebendo do seu sangue. Uma garrafa de vinho e um vestido que acentuava meus seios e quadris foram indispensáveis para encarnar o ser que afrontara minha alma. Bom, não consegui.
Comecei a questionar a minha pouca experiência. Quantos amores correspondidos, ou não?Quantas entradas na delegacia?Quantos filhos?Quantas fantasias?Quantas portas já abri com um chute?
Quer saber?Resolvi desencanar.
A experiência que carrego, é pouca, mas é minha.
É a minha vida certinha. a minha falta de amor.São os meus medos.
Cansei de tentar me encontrar na música dos outros.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
COVER
Meu pai, como todo bom e velho pai (ele não vai gostar desse "velho"), vive me dando conselhos, sermões e tem um acervo gigantesco de piadas e frases célebres. Uma muito comum durante nossos estranhos passeios de carro, onde ele sempre relembra alguma história sobre a época em que transitava pelos shows da cidade (ele conta que já foi inclusive a show da The Platters, aquela banda que tem uma música que ninguém conhece "Only You", no Teatro Ateneu) é “Aracaju é uma cidade muito estranha”. Nesses momentos eu prefiro não soltar comentários e deixá-lo livre em seus devaneios que sempre provocam um risinho no canto direito da boca, já que dificilmente concordo com suas opiniões sobre música. Mas como ele mesmo diria “filho de peixe, peixinho é”.
No último fim de semana tive mais uma confirmação de que sua tese sobre a estranheza de Aracaju está correta.
Apesar de uma tremenda ressaca carnavalesca, resolvi me deslocar até a ATPN para mais uma edição do COVERAMA. Eu particularmente não sou fã de bandas cover, mas como muitos dos meus amigos estariam lá... Sabe como é... Botei R$10,00 no bolso e fui.
Para a minha surpresa, encontrei pessoas que nunca vejo na rua e mais algumas centenas de espectadores empolgadíssimos, sem contar a legião de metaleiros (nada contra).
Diante de tantas cabeças batendo, um calor infernal e gargalhadas, meu peito começou a ser espremido por uma angústia misturada a questionamentos do tipo - Será que essas pessoas pagariam os mesmos R$10,00 para assistir a bandas inéditas?-Será que os músicos conseguem dormir depois de tocar músicas suuuuuuuper batidas, quando aquela poderia ser “a” oportunidade de mostrar seus trabalhos autorais?-Será que eu sou a única que se sente culpada por ter pago R$10,00 e incentivar essa indústria do cover?
Bom, preferi engolir uma cerveja quente e concordar com meu pai.Aracaju,realmente,é uma cidade estranha...
No último fim de semana tive mais uma confirmação de que sua tese sobre a estranheza de Aracaju está correta.
Apesar de uma tremenda ressaca carnavalesca, resolvi me deslocar até a ATPN para mais uma edição do COVERAMA. Eu particularmente não sou fã de bandas cover, mas como muitos dos meus amigos estariam lá... Sabe como é... Botei R$10,00 no bolso e fui.
Para a minha surpresa, encontrei pessoas que nunca vejo na rua e mais algumas centenas de espectadores empolgadíssimos, sem contar a legião de metaleiros (nada contra).
Diante de tantas cabeças batendo, um calor infernal e gargalhadas, meu peito começou a ser espremido por uma angústia misturada a questionamentos do tipo - Será que essas pessoas pagariam os mesmos R$10,00 para assistir a bandas inéditas?-Será que os músicos conseguem dormir depois de tocar músicas suuuuuuuper batidas, quando aquela poderia ser “a” oportunidade de mostrar seus trabalhos autorais?-Será que eu sou a única que se sente culpada por ter pago R$10,00 e incentivar essa indústria do cover?
Bom, preferi engolir uma cerveja quente e concordar com meu pai.Aracaju,realmente,é uma cidade estranha...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Espero que você leia...
Eu estava pronta. Usava um vestido verde e sandálias douradas, mas a animação ainda não havia chegado.
De longe, avistei as meninas super produzidas e com saltos mais altos do que os daquelas sandálias que espremiam os meus pés. Ficamos ali jogando conversa fora, como de praxe, até que todos aparecessem e o lugar estivesse realmente fervendo.
Apesar dos sorrisos, abraços e libido ao meu redor, sentia-me como um peixe fora d’água. Não achava graça em nada e quando alguém vinha com uma gracinha, eu respondia com um belo sorriso amarelo coberto por batom vermelho.
Minhas amigas esperavam encontrar naquela noite seus príncipes encantados, enquanto eu sonhava em chegar à minha casa e ficar descalça, mas como diriam os narradores de histórias de príncipes “o feitiço virou contra o feiticeiro” e foi entre barracas de bebidas, rodinhas de conversa e um trânsito atrapalhado que o encontrei.
Ele não era novidade para mim. Freqüentávamos os mesmos lugares, mas até aquele momento, não passava de mais um cara.
Ao falar com alguém, percebi a sua presença. Ele estava com um amigo e até hoje não sei bem o que os dois faziam ali. Estava um parado ao lado do outro, não trocavam palavras nem olhares. Tentei chegar mais próximo para que ele me percebesse.
Não funcionou. Os olhares que lhe passei só fizeram aumentar a sua falta de concentração e conforto em relação à festa. Quando voltei a olhar, ele não estava mais lá. Simplesmente foi embora. Descobri mais uma coisa: que a timidez reina naquele corpo.
De longe, avistei as meninas super produzidas e com saltos mais altos do que os daquelas sandálias que espremiam os meus pés. Ficamos ali jogando conversa fora, como de praxe, até que todos aparecessem e o lugar estivesse realmente fervendo.
Apesar dos sorrisos, abraços e libido ao meu redor, sentia-me como um peixe fora d’água. Não achava graça em nada e quando alguém vinha com uma gracinha, eu respondia com um belo sorriso amarelo coberto por batom vermelho.
Minhas amigas esperavam encontrar naquela noite seus príncipes encantados, enquanto eu sonhava em chegar à minha casa e ficar descalça, mas como diriam os narradores de histórias de príncipes “o feitiço virou contra o feiticeiro” e foi entre barracas de bebidas, rodinhas de conversa e um trânsito atrapalhado que o encontrei.
Ele não era novidade para mim. Freqüentávamos os mesmos lugares, mas até aquele momento, não passava de mais um cara.
Ao falar com alguém, percebi a sua presença. Ele estava com um amigo e até hoje não sei bem o que os dois faziam ali. Estava um parado ao lado do outro, não trocavam palavras nem olhares. Tentei chegar mais próximo para que ele me percebesse.
Não funcionou. Os olhares que lhe passei só fizeram aumentar a sua falta de concentração e conforto em relação à festa. Quando voltei a olhar, ele não estava mais lá. Simplesmente foi embora. Descobri mais uma coisa: que a timidez reina naquele corpo.
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